
Saudações!!!
Hoje, para vocês, uma história que ocorreu comigo quando eu era mais novo. Não sou tão velho assim, como vocês devem estar pensando, mas também não sou mais um moleque. Mas sem enrolação, vamos aos fatos.
Eram cerca de 8:00 e eu estava pisando em solo britânico, finalmente. Frio e chuva, tipicos de um outono londrino, somado a doze horas de viagem é extremamente cansativo mas o que me trazia a Inglaterra poderia valer a pena, pelo menos era o que Jamie me garantiu. Jamie também é uma aventureiro como eu. Morava em Norwich. Uma cidade a nordeste de Londres, mais ou menos duas horas de trem da capital.
Após todo o processo necessário para sair do aeroporto tomo um táxi até a estação de trem e rumo para Norwich. Mais duas horas de viagem. Aproveito para entrar em contato com Jamie e descansar um pouco. Durmo pesadamente. Jamie esta a minha espera na estação. Ele me ajuda com a bagagem e pergunta como foi a viagem, digo que, como sempre, foi cansativa mas as belas aeromoças ajudaram a melhorar a vista dentro do avião. Rimos, felizes.
Quando chegamos em sua casa ele não me dá sossego, quer me mostrar todas as provas que já havia conseguido. Fotografias, relatos antigos, mapas topográficos e muitas outras coisas. Peço a ele pelo menos um tempo para descansar decentemente. Ele pede desculpas, mas estava ansioso para me mostrar tudo ao vivo. E eu entendo o lado dele, mas cansado (e todos concordam comigo) é extremamente complicado pensar, ainda mais quando um assunto tão sério esta em pauta.
Tomo um banho, tomamos o famoso chá da tarde inglês e eu me retiro para o meu quarto. Cansado como estava apago e em meu sonho imagens estranhas pulsam em minha mente. Fogo, calor, gritos, choro e sangue. Acordo assustado e muito suado. A muito tempo que não tinha tido um pesadelo que me deixasse abalado. Mas é só um sonho, e sonhos não machucam.
Logo cedo ele me chama, e já descansados, começamos a trabalhar. Ele me apresenta os mapas que indicam elevações suspeitas no terreno, porém em todo a Inglaterra muitos morros existem e nunca foram suspeitos. Ele me apresenta alguns fatos históricos da região de North Walsham (cidade a meio hora ao norte de Norwich). E depois algumas fotos do local. No instante em que vejo algumas fotos meu pesadelo volta a cabeça. Ele percebe que me assustei com o que vi, mas não entende o porque e mesmo que eu explicasse ele não entenderia.
Concluimos ao final da tarde que é hora de nos prepararmos para uma pequena viagem. A noite após o jantar preparamos a lista do que vamos levar. Vamos dormir tarde, mas já esta quase tudo preparado. O pesadelo me assola novamente a mente. Dessa vez chego a sentir o cheiro de fuligem e o calor do fogo muito perto, mas não consigo distinguir de onde vem. Apenas sinto. Acordo novamente suado, e tremendo dessa vez.
Ambos levantamos cedo e enquanto eu vou separando algumas coisas, Jamie vai ao centro comprar o que falta. Ele chega, finalizamos a arrumação e partimos em direção a North Walsham. Assim que chegamos na cidade paramos para comer alguma coisa e pegamos a estrada A149, rumando mais para o norte. Paramos na altura do quilometro duzentos. Estacionamos o carro e montamos acampamento. A noite não demora a cair e montamos uma fogueira para aquecer-nos.
Não consigo dormir, enquanto Jamie dorme profundamente. Saio da barraca e vou dar uma volta. Além dos estalos da fogueira recém-apagada e do vento nas folhas das árvores próximas escuto também o som de tambores. O som parece vir de uma colina baixa que esta próxima, muito próxima e, é óbvio, vou até lá. Quando me aproximo vejo uma claridade surgir por de trás dela. Me agacho e continuo subindo a colina arrastando-me. Chego no topo e vejo de onde vinha a claridade e a batucada.
No vale da colina, uma formação muito parecida com Stonedge. Nas bordas seres com túnicas cinzas entoavam nos tambores o ritmo do que parecia ser uma cerimônia, um ritual. Aprumei os ouvidos para ver se conseguia entender o que eles diziam mas não me lembrava nem um pouco o inglês atual quanto mais inglês arcaico. As batidas continuam, suaves e em uma melodia calma. Mais ao centro vejo um grupo de túnicas vermelhas, eles balançam de um lado para outro, cantam (ou oram, não sei dizer ao certo). Conforme eles se afastam, revelam no centro do círculo um espaço esculpido em pedra e que lembra uma mesa.
As batidas aumentam um pouco a velocidade. De fora do círculo um asecla de túnica branca se aproxima da "mesa" e quando esta próximo tira a túnica e revela uma linda mulher. Pele branca, cabelos morenos e compridos até a cintura. Ela esta nua . Se deita na mesa e ao mesmo tempo que um deles, dos de túnica vermelha, se aproxima da "mesa" e deposita na mão da jovem um punhal, que refletia a luz alaranjada das tochas que estavam dispostas ao redor do círculo. No mesmo instante que ele entraga o punhal a música aumenta de velocidade, assim como as batidas do meu coração.
"Ela não vai fazer isso", penso eu. "Ela não pode fazer isso". Mas assim que começo a me preparar para descer e impedir que aquilo aconteça eu gelo. Paro completamente, nenhum som sai da minha boca, nenhum músculo do meu corpo quer me obedecer e meus olhos parecem estar querendo pregar uma peça em mim. Na escuridão atrás da jovem vejo um par de olhos, grandes, vermelhos e reptilianos fixos na mulher. Acreditava que esse tipo de criatura não existe, mas percebo que tinha me enganado completamente. Já tinha visto de tudo naquela época, mas aquilo ainda me surpreendeu muito.
Assim que a luz das tochas incidio sobre ele percebi o seu tamanho. Montado sobre quatro patas aparentemente poderosas. O corpo lembrando de um largarto muito grande só que (se é que posso dizer assim) mais gordo. E as asas. Enormes asas que lembravam as de um morcego, dobradas sobre suas costas escamadas. A música aumentou ainda mais (tanto em velocidade quanto em volume). E de repente silêncio. O único som audível era do crepitar das tochas. Meu coração parecia que queria sair do meu peito e se esconder. A faca sobe na mão da jovem e depois ela estoca a sua barriga. Todos ao redor se ajoelham e o dragão abaixa a cabeça e começa a comer o corpo da jovem ainda quente.
É repugnante, é asqueroso, mas ao mesmo tempo é surpreendente, maravilhoso. Existe uma criatura dessas no mundo, e também existe um culto a elas. Assim que o dragão saceia a sua fome ele se vira e começa a alçar vôo. Nisso os cultistas começam a se afastar. Meu senso de sobrevivência é o mesmo, por tanto, para não virar comida de dragão também, volto correndo para o acampamento.
Acordo Jamie aos trancos. Ele resmunga mas acorda, olha para mim assustado e pergunta o que aconteceu. Apenas digo que precisamos urgentemente sair dali. Ele não entende, mas percebe a necessidade em minha voz. Jogamos tudo dentro do carro e partimos. Eu dirijo, sem dizer uma palavra, por mais ou menos meia hora, até que paramos em um hotel de beira de estrada. Alugamos um quarto com duas camas e ao entrarmos tranco tudo e conto para ele o que eu vi.
A príncipio ele se assusta, mas depois fica maravilhado, pois tudo o que ele pesquisava e acreditava finalmente se tornava real com o que eu estava contando. Ele diz que devemos ir logo pela manhã para o local, mas eu afirmo que não. Discutimos e por pouco não partimos para uma briga. Na manhã do dia seguinte voltamos para a casa dele. Peço que ele não volte para o lugar, mas ele não me diz nada. Me despeço e volto para o Brasil.
Seis meses depois recebo a notícia de que ele está desaparecido. Eu sei que ele voltou para o lugar, como poderia não ter voltado, não é? Eu mesmo gostaria de ver aquela criatura novamente. Mesmo terrível ela era bela. Agora sigo a minha vida. Apenas esperando a próxima aventura.
Até a próxima.
Saudações!!!
Hoje trarei a vocês uma história que aconteceu comigo a um bom tempo atrás, quando ainda era jovem.
Essa história é sobre o Cavaleiro das Nuvens, um ser fantástico que conheci um dia que estava de bobeira.
Foi um dia de primavera. E eu me lembro muito bem desse dia. Já passara das 17:00 e o Sol ainda não havia começado a se por. O céu estava de um azul maravilhoso e com diversas nuvens espalhadas a esmo mas que sem querer (ou não) formavam diversos desenhos. Pouco vento, mas as nuvens continuavam a se mexer intensamente. E foi isso que me chamou a atenção.
Naquele dia assim que cheguei em casa, subi para o observatório (pra falar a verdade, é apenas a varanda que fica na parte mais alta da casa, com algumas adaptações, é claro) e fiquei admirando os contornos das nuvens e alguns muito curiosos. Parecia que uma festa estava acontecendo. Diversas nuvens de formas de animais se juntavam e rodopiavam entre si, como se fosse uma dança, uma bela dança.
Estava adorando aquela dança, pois ela me intrigava e me forçava a pensar em uma causa para as nuvens estarem fazendo aqueles movimentos. Foi nesse instante em que observei algumas se acumularem e começar a darem forma a uma nova imagem. Dessa vez eram dois cavalos, que pelas formas que a nuvem assumiu aparentavam ser fortes. Logo em seguida esses cavalos começaram a fazer uma movimentos como uma cavalgada. Lindo. Imaginem uma nuvem que era mais alta que um predio de 4 andares, em forma de cavalo e correndo pelo céu azul em grandes círculos. Logo em seguida uma outra nuvem começou a tomar forma de uma carrugem, muito parecida com uma biga romana. E assim que os cavalos passaram por ela, a mesma se juntou a eles na cavalgada.
A carruagemn feita de nuvens e os cavalos continuavam rodeando o céu. Um balé maravilhoso, pois a cada volta que davam, novas nuvens com formas de animais apareciam em volta e depois de alguns momentos formas humanas também começaram a aparecer e saudar a carruagem. Até o momento em que ela começou a desacelerar e um castelo foi se formando conforme ela se aproximava. Ela parou na frente do castelo, extremamente grandioso e belo. Formado pelas nuvens mais brancas que você poderá ver na vida. E com um ar de imponência as portas começaram a se abrir. No instante em que elas se abriram por completo um vento forte e perfumado soprou. E de dentro do castelo surgiu um homem que lembrava um guerreiro de um tempo a muito esquecido. Vestia uma capa azul escuro, como o céu noturno mas a armadura que cobria o seu peito brilhava como o Sol de uma manhã de verão.
Ele começou a cavalgar e conforme andava ia diminuindo de tamanho. E conforme diminuia fazia algumas alterações na sua rota, até começar a descer para o solo. Conforme se aproximava seus cavalos e sua carruagem foram deixando a forma de nuvem e se tranformando na forma "real". Os cavalos eram alvos e a carruagem, um tom avermelhado, como o Sol poente. Percebi que estava vindo em minha direção, me acalmei e com os olhos fixos neles esperei. Em poucos instantes eles pousaram na minha frente. No mesmo momento me ajoelhei em reverência a ele, e com uma voz grave ele disse para mim: "Levante-se Aventureiro, conheço as suas histórias, e portanto, hoje você cavalgará com o Cavaleiro das Nuvens".
Sem hesitar subi na carruagem, que era espaçosa e acomodava nós dois tranquilamentes. Ele começou a alçar vôo e e conforme ganhava altura a carruagem e os cavalos começaram a voltar a forma da nuvem. O vento que soprava era delicioso, com uma temperatura agradável. Nessa cavalgada sobrevoamos diversos pontos da cidade. Foi fantástico e inesquecível. Mas tinha que acabar e pouco antes de anoitecer ele me trouxe de volta a terra e me pergunto: "Gostou do passeio Aventureiro?". Apenas sorri e agitei a cabeça com um sim. Não conseguia dizer nada, estava maravilhado com o passeio.
Estava anoitecendo quando ele começou a subir, mas dessa vez não houve um castelo. Dessa vez ele apenas arrebanhava as nuvens e as puxara para outra direção, deixando sobre a minha cabeça um céu maravilhosamente estrelado. Um experiência fabulosa., até para mim.
Espero que tenham gostado.
Saudações galera!!!
Vou começar com a história de um amigo. Fiquem tranquilos, em breve estrelarei uma para vocês.
Tudo começou como esse amigo meu, (que irei chamar de João, só para ele não ser identificado...sabe como é né) dando uma volta na praia (que infelizmente também não posso revelar). Nada de novo e ele só de papo para o ar, quando, do nada, aparece no horizonte um iate, com uma mulher agitando os braços freneticamente para a praia. Ele para, observa por alguns instantes e de repente percebe que ela estava pedindo por ajuda. Ele, como exímio nadador que era, foi ao seu socorro. Mal sabia ele no que estava se metendo.
E lá foi ele, nadando feito um doido. Conseguiu chegar, porém morto de cansaço, mas ao subir a bordo não encontrou a mulher do lado de fora. "Talvez ela tenha ido para dentro" - pensou ele. E foi tentar encontrá-la. Quando olhou para o deck do iate percebeu uma trilha de sangue. Ficou assustado, como todo mundo que esta em um lugar desconhecido, longe de qualquer outro lugar e sem nada para se proteger de alguma ameaça. Porém "João" tinha instinto aventureiro, como eu e tantos outros, e resolveu seguir a trilha, mesmo porque se ele não seguisse a trilha essa história terminaria aqui sem a menor graça.
Abriu lentamente a porta. Cada passo medido e calculado. Na pequena cozinha viu algumas panelas balançando conforme as ondas batiam no barco. Mas nada além disso. Continuou seguindo, chegou aos quartos mas nada viu, a não ser as camas desarrumadas. Começou a ouvir o som de alguma coisa sendo arrastada pelo chão e subiu para a cabine de comando para ver de onde vinha o som. E descobriu de onde vinha o som, a trilha de sangue e o cheiro forte de podridão que sentia desde que tinha entrado no iate.
"Tô fudido" - foi o que ele pensou. Com certeza foi isso - você, no meio do mar, com dois zumbis terminando de almoçar uma mulher e você lá para ser a sobremesa,com certeza, todo mundo pensaria a mesma coisa em uma situação dessa. Assim que percebeu começou a andar para trás o mais devagar possível para conseguir distância o suficiente sem chamar atenção dos seres infernais. Erro feio o dele, andando de costas ele tropeçou e foi bater com a mão em uma das panelas. As criaturas que estavam comendo perceberam o barulho. E ele percebeu que elas perceberam. Se levantou o mais rápido possível e correu, só que, para o azar dele, os zumbis também correram, meio atrapalhados, mas correram, atrás dele.
Para o desespero de "João", eles o alcançaram. Com força, ele conseguiu se soltar do aperto no braço de um deles, mas infelizmente não escapou da mordida na perna do outro antes de cair na água.
Com a perna doendo conseguiu voltar para a praia e assim que chegou me telefonou desesperado. Peguei a moto e fui até a praia. Ele me contou o que tinha acontecido e quem havia lhe dado a mordida. Ambos tivemos a mesma idéia. Reunimos o máximo dos nossos amigos aventureiros, contamos o que havia acontecido e todos concordaram com o que devia ser feito. Após termos certeza absoluta de que ele havia morrido, cortamos a sua cabeça (pro precaução) e preparamos para ele um funeral viking, como ele havia pedido e como é de costume sempre que um dos nossos, por ventura, morre.
Sempre sentiremos a falta de "João", porém sempre soubemos que uma dessas coisas pode, infelizmente, acontecer com qualquer um de nós. Mas sempre torcemos que seja pela bem da aventura. E, citando Peter Pan, morrer é apenas mais uma aventura.
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